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terça-feira, 29 de março de 2011

A difícil arte de ser você mesmo


A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre”. Oscar Wilde


Você já se perguntou por que é tão difícil ser você mesmo?

Na realidade buscamos seres humanos iguais ou semelhantes a nós, pessoas com as mesmas opiniões, sentimentos, valores e crenças, por isso a diferença nos outros nos incomoda tanto, eles traem nossos princípios, logo julgamos que devem estar errados e lhes falta experiência ou conhecimento para evoluir até o nosso estado de grandeza.

Poucas pessoas possuem a coragem de realmente ser elas mesmas, a pressão contrária é muito grande e assim a maioria tenta se adequar ao comportamento social vigente e assim aos poucos se transforma naquilo que não é, afundando-se em falsas palavras, atitudes e sentimentos, causando aos outros uma sensação de sempre estarmos senhores da situação. Pura ilusão.

A cada dia distanciamo-nos um pouco mais de nós mesmos, e como numa neblina, um vazio frio e úmido passa a nos envolver. Nossos dias começam a se tornar tristes, nossas amizades vazias, pois nos enterramos em conceitos que não são nossos para parecer agradáveis aos outros, esquecendo de nossa verdadeira essência.

Numa de minhas viagens encontrei com um morador de rua que sempre estava no mesmo lugar, não pedia nada, apenas olhava para o horizonte, um dia parei, lhe dei um sanduíche e sentei para conversar. Ele me contou sua historia, família, trabalho, amigos, ouvi com atenção e finalmente lhe perguntei o que havia lhe acontecido para ele decidir viver assim, nunca esqueci a sua resposta:

Eu me perdi de mim mesmo”.

Quantas pessoas estão hoje perdidas de si mesmas, vivendo valores, crenças, sentimentos e metas coletivas que não são suas, tentando alcançar um modelo de ser humano que a maioria das pessoas prega, mas não pratica.

Quantas pessoas magoam-se a si mesmos pelo temor gerado diariamente pela sociedade de que alguém possa rir de você, o medo de perder algo ou alguém, que percam o respeito por você, medo da rejeição ou mesmo para não magoar os outros.
 
Você já parou para pensar o quanto estes medos e ferramentas de manipulação limitam os seus talentos.

Segundo Ralph Waldo Emerson você deve insistir em si mesmo; nunca imite. Seu próprio talento você pode apresentar a cada momento com a força acumulada pelo cultivo de uma vida inteira; mas do talento adotado de outra pessoa você tem apenas uma extemporânea posse parcial. Faça o que foi designado para você, e nenhuma esperança ou ousadia poderão ser demais.

Lembre-se, ninguém é perfeito, você possui qualidades e defeitos como todos os demais seres humanos e por isso devemos aprender a conviver com eles e aceita-los. A beleza e a diferenciação humana estão justamente nestas imperfeições, “até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro" diria Clarice Lispector.

Também esqueça a diplomacia, ser diplomático significa ser outra pessoa. Quer melhor sinônimo para hipocrisia do que, diplomacia? Seja simplesmente você mesmo! Não minta para si mesmo. Você não merece!
Não precisa temer uma punição. Porque temos que ser assombrados pelo medo do julgamento alheio?
 
Ser você mesmo é uma tarefa difícil e exaustiva. É uma tarefa diária, pois a todos os momentos sofremos influências profundas para, de alguma forma, reconstruir nossa personalidade seja da família, da escola, da Igreja, da empresa, do clube, dos amigos e dos inimigos.

Mesmo com este processo de reconstrução constante não somos aceitos pelo que somos. Somos aceitos pelo que os outros querem que sejamos. E então, mudamos. Vivemos mudando. Mudamos nosso jeito de falar, de se vestir, de ver o mundo, nossos gostos musicais, nosso modo de se divertir e de repente você acorda numa manhã qualquer e não se reconhece mais. È neste momento que você descobre que se perdeu de si mesmo.

Tenho consciência de que mudar é a nossa única certeza na vida, é inevitável desde que isso seja feita para o seu próprio desenvolvimento pessoal, não para agradar os outros ou construir personagens politicamente corretos.
Como diria Pablo Picasso “qualquer outro terá todos os meus defeitos, mas nenhuma das minhas virtudes.”

Assuma o seu “EU” verdadeiro, pare de representar papeis socialmente corretos, crie o seu próprio espaço, solte as rédeas do seu verdadeiro talento. Acredite em si mesmo, aceite seus defeitos e qualidades e siga em frente.

Por Roberto Recinella

ALGUMAS FORMAS DE ADMINISTRAR AS CARGAS DA VIDA

1. Aceite que há dias em que você é o pombo e outros em que é a estátua.

2. Mantenha sempre tuas palavras leves e doces, pois pode acontecer de você
precisar engolir todas elas.

3. Dirija com cuidado . Só os veículos têm *recall* do fabricante.

4. Se não puder ser gentil, pelo menos tenha a decência de ser vago.

5. Se você emprestar R$ 200,00 para alguém e nunca mais ver essa pessoa,
provavelmente valeu a pena pagar esse preço para se livrar dela.

6. Nunca compre um veículo que você não possa manter.

7. Quando você tenta pular obstáculos, lembre que vai estar com os dois pés
no ar e sem nenhum apoio.

8. Lembre-se de que é o segundo rato que come o queijo - o primeiro fica
preso na ratoeira. Saiba esperar.

9. Quando tudo parece estar vindo na tua direção, provavelmente você está no
lado errado da estrada.

10. Aniversários significam que você vive mais tempo.

11. Podemos aprender muito com uma caixa de lápis de cor. Alguns têm pontas
aguçadas, alguns têm formas bonitas e alguns são sem graça. Outros têm nomes
estranhos e todos são de cores diferentes, mas todos são lápis e precisam
viver na mesma caixa.

12. Não perca tempo odiando alguém, remoendo ofensas e pensando em vingança.
Enquanto você faz isso o alvo da sua mágoa está vivendo bem e feliz e você é
quem se sente mal e sente o gosto amargo na boca.

13. Quanto mais alta é a montanha, mais difícil é a escalada. Mas poucos são
os que conseguem chegar ao topo para admirar a paisagem do alto e fazer as
fotos que você admira dizendo: "Queria ter estado lá".

14. Uma pessoa realmente feliz é aquela que segue devagar pela estrada da
vida, desfrutando o cenário, parando nos pontos mais interessantes e
descobrindo atalhos para lugares maravilhosos que poucos conhecem.

Portanto, antes de voltarem para casa hoje, depositem sua carga de
trabalho/vida no chão. Não carreguem para casa. Vocês podem voltar a pegá-la
amanhã, com tranqüilidade.

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome. E essa coisa é o que somos."
(José Saramago)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Saiba como lidar com suas expectativas para não se frustrar


A vida não é feita de expectativas, é feita de escolhas!

Expectativas são esperas ansiosas e produzem um efeito danoso em nossas vidas quando excedem os padrões da realidade.

É da natureza humana gerar expectativas com relação às coisas, o problema é que nossa imaginação é muito fértil e nossos desejos excedem nossa compreensão da realidade. Nestas condições criamos expectativas com pouca ou nenhuma chance de acontecerem e caminhamos rumo à decepção e a frustração.

Achamos que os outros nos decepcionam quando, na verdade, na maioria das vezes fomos nós quem criamos expectativas irreais sobre eles e suas atitudes.

A solução para essas questões que sempre causam sofrimento e desilusões passa pelas seguintes reflexões:

1ª) Precisamos compreender que nossas expectativas são formadas a partir de nossos desejos e fantasias e, não possuem, muitas vezes, nenhuma relação com a realidade.

2ª) Nossas expectativas estão ligadas à nossa imaginação e por isso podem assumir proporções muito difíceis de serem atendidas.

3ª) As expectativas são nossas, mas podem depender de ação de outras pessoas e acontecimentos para se concretizarem, portanto estamos esperando por algo sobre o qual não temos controle efetivo.

4ª) Expectativas estão associadas à imaginação, sentimentos, emoções e experiências anteriores.

5ª) Expectativas sofrem a ação da nossa ansiedade e dos outros aspectos psicológicos que compõe a nossa personalidade.

Assim, como em tudo na vida, também precisamos aprender a lidar com nossas expectativas e introduzir a razão como mediadora entre elas e a realidade.

Às vezes, você espera que alguém ligue para você e a pessoa não liga... Quanto maiores forem as expectativas de receber a ligação, maior será o sofrimento e a decepção de não a ter recebido. Não percebemos nitidamente, mas nos sentimos feridos, afinal a pessoa “devia” ter ligado e não ligou. Pronto. Esse “ferimento emocional”, que se originou em função de nossas expectativas não atendidas, será suficiente para que nossa imaginação agigante as consequências ao criar as “razões“ pelas quais a pessoa não ligou, tais como: ela não me dá a atenção que eu mereço; ela só me procura quando convém; ela deve estar se divertindo com outras pessoas; ela está me enganando; ela não tem por mim a mesma consideração e sentimento que eu tenho por ela, etc.

Ora, todas estas “razões” são meras suposições da nossa imaginação ampliadas pela ansiedade e por frustrações e comparações com situações anteriores.

A pessoa pode não ter ligado por razões concretas e justificáveis as quais poderíamos facilmente compreender em uma conversa franca com ela. Julgamos baseados em suposições, e suposições são apenas probabilidades manipuladas pela nossa imaginação.

Quanto maiores forem as suas expectativas diante de qualquer situação na vida, maiores serão suas chances de se decepcionar. Quando não estamos esperando nada, achamos tudo o que acontece maravilhoso. Quando esperamos pouco, o que acontece facilmente atende ou supera as nossas expectativas, mas quando esperamos muito...

Esperar muito é depositar nas mãos de outras pessoas e acontecimentos a responsabilidade de fazer seus desejos acontecerem. É uma perigosa ilusão.

Procure dividir os aspectos de sua vida em dois grandes grupos: as coisas que você espera que aconteçam e depende determinantemente de você e as coisas que você espera que aconteça, mas dependem muito mais de outras pessoas e acontecimentos que da sua ação.

Observe que você só pode agir sobre as coisas que dependem determinantemente de você. Somente sobre elas você possui controle. As coisas que dependem de outras pessoas e acontecimentos estão fora do seu controle, você pode até influenciá-las de alguma maneira, mas não pode controlá-las.

Utilize a sabedoria para não gerar expectativas muito elevadas para as coisas que não dependem diretamente de você e de suas atitudes. Elas dependem de outras pessoas que não pensam como você pensa, não agirão como você agiria e não sentem as coisas exatamente como você sente.

Concentre-se em alterar as coisas que você pode e em buscar compreender as que estão nas mãos dos outros.

Deixar a vida ser dirigida por nossas expectativas é como dirigir em alta velocidade de olhos vendados. Abra os olhos da razão, use o coração para amar a vida e as pessoas e a razão para conhecê-las, compreendê-las e aceitá-las.

Uma vida baseada em expectativas é irreal e muito perigosa. Faça as pazes com a realidade e aprenda a ajustar suas expectativas dentro de um padrão lúcido e flexível.
 
Nem a vida nem as pessoas são como nós gostaríamos que fossem, são como são. Nem mesmo nós somos como gostaríamos de ser...

Um alerta importante: Antes de tentar se tornar quem você gostaria de ser, observe se suas expectativas com relação a si mesmo não estão equivocadas, talvez você esteja melhor assim...

A vida é feita de escolhas, mas é impactada por nossas expectativas.
(por Carlos Hilsdorf)

terça-feira, 22 de março de 2011

Tarefas Complexas e Motivação


Tem se tornado um assunto recorrente a necessidade de ter os funcionários mais engajados, pois, especialmente quando as tarefas vão se tornando mais complexas, passa-se a ter dificuldade de mensurar a performance. A grande pergunta é: porque há mais de 50 anos, desde que Skinner estudou o reforço positivo em seus pombos, isto parece não funcionar com os trabalhadores do conhecimento, como se esperava? Pela visão comportamental, se eu reforçar positivamente um comportamento, este deveria se manter, e, para inibi-lo, eu deveria dar um estímulo negativo todas as vezes que ele surgisse. Mas, mesmo com bônus, e diversos ganhos, os trabalhadores não parecem mais motivados como era de se esperar.
Têm surgido algumas ideias novas e interessantes. Uma delas vem de um consultor norte-americano chamado Daniel Pink. Ele mostra que existe uma falta de alinhamento entre o que a Psicologia sabe e o que se faz no mundo corporativo.
Pink cita estudos que corroboram a ideia de que, quanto mais simples é uma tarefa, mais a recompensa externa funciona, e, quanto mais complexa a tarefa, mais o motivador extrínseco tende a piorar a performance. Isto porque a recompensa estreita o nosso foco, e isto acaba prejudicando a realização de tarefas complexas.
Pink cita um estudo feito pela London School of Economics, universidade de onde saíram 11 prêmios Nobel de Economia, que demonstrou que incentivos financeiros podem ter um impacto negativo na performance dos colaboradores.
Portanto, para motivar seus funcionários, não adianta prometer uma cenoura maior, ou bater mais forte com o chicote; temos de buscar os motivadores intrínsecos.
Segundo Pink, existem três motivadores intrínsecos poderosos, que são: 
- Autonomia
- Excelência
- Propósito. 
Autonomia refere-se ao fato de a pessoa ter liberdade para se dedicar a algo que lhe interessa. Você deve estar se perguntando se isso aumenta a produtividade. No Google, os engenheiros dedicam 20% do tempo ao projeto que querem, e, pasmem, 50% dos novos produtos surgem neste período de tempo em que estão fazendo algum projeto de seu interesse pessoal. A autonomia não significa que não haja compromisso com o resultado, mas a pessoa tem a liberdade de escolher como chegar ao resultado.
Excelência refere-se ao fato de que querer se aprimorar continuamente em algo que se faz é um fator de motivação. O necessário aqui é entender as crenças que estão por trás, ter e difundir a crença de que cada erro é um sinal de que está se aprimorando e não sinal de incompetência.
Propósito está relacionado com o que vai além de mim, minha contribuição a algo maior. Em uma empresa é aquilo que está além do lucro. Os valores da empresa precisam tocar na alma dos seus funcionários, para que eles sejam como missionários. Soa estranho, mas nos EUA há uma empresa de sapatos chamada TOMS Shoes, que, todas as vezes em que vende um par de sapato, ela doa outro par para um país em desenvolvimento. Este nível de reflexão já está acontecendo em empresas, inclusive brasileiras. Existe uma grande empresa de cosméticos brasileira em que parte do desenvolvimento dos seus líderes passa pela reflexão do seu legado de vida. Tive a honra de participar como facilitador de dezenas de workshops neste projeto.
Portanto, procure primeiro diagnosticar se a tarefa a ser realizada é simples ou complexa. Se for simples, então você sabe que a motivação extrínseca, como recompensa financeira, irá funcionar; caso seja complexa, que é a maioria das tarefas dos trabalhadores do conhecimento, então terá de buscar motivadores intrínsecos.
Saber criar esses motivadores será uma habilidade fundamental para os líderes do século 21. (By Frederico Porto)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O BAMBU CHINÊS (Reflexão)


Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada, por aproximadamente cinco anos exceto o lento desabrochar de um diminuto broto, a partir do bulbo.

Durante cinco anos , todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu.
Mas...
Uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída.
Então, no final do quinto ano, o bambu chinês, cresce até atingir a altura de vinte e cinco metros.

Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e, às vezes não vê nada por semanas, meses, ou anos.
Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu quinto ano chegará, e, com ele, virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava...
O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos, de nossos sonhos...
Em nosso trabalho, especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças...
De comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização.
Para ações devemos sempre lembrar do bambu chinês, para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.

Tenha sempre três hábitos:

Persistência, paciência e fé, porque todos merecem alcançar os seus sonhos!!!

É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita
Flexibilidade para se curvar até o chão.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Desempenho é a melhor maneira de avaliar potencial?

Quando nos referimos a seres humanos, deveríamos sempre considerar o desempenho como um sinal de grande potencial? Em primeiro lugar, é importante deixar claro que potencial tem a ver com o futuro e desempenho com o presente. Explico também que, no fundo, tentamos prever o futuro (potencial), baseando-nos no presente (desempenho).
No livro intitulado Outliers, Malcolm Gladwell nos apresenta uma lista publicada pela revista Forbes, com os 75 homens mais ricos da história.
Era como se atualizássemos a fortuna de reis e faraós e comparássemos com Bill Gates, Warren Buffet e assim por diante. Apenas como curiosidade, o topo da lista é ocupado pelo magnata americano John D. Rockefeller. O impressionante é que, dos 75 nomes, 14 são americanos nascidos em um período de 9 anos,  em meados do século XIX. A resposta para esta coincidência, é que nas décadas de 1860 e 1870, a economia americana passou provavelmente pelas maiores transformações da sua historia e, segundo alguns especialistas, foi a melhor época para alguém ficar rico começando do nada. Imagine se fizéssemos um estudo com os 14 americanos citados acima, e encontrássemos uma série de características em comum, seríamos tentados a dizer que estas características foram as responsáveis pelo seu sucesso, tendendo a desconsiderar a importância da época em que nasceram.
O desempenho acima da média causa, na maioria das pessoas, o chamado Efeito Aura, ou seja, se eu acreditar que determinado líder ou gestor entrega resultados acima da média, somente por causa do seu talento, todos os seus comportamentos serão avaliados através deste filtro. Ele não será arrogante, e sim assertivo, ele não correrá riscos desnecessários, mas será visto como audaz, e assim por diante.
Portanto, pergunto: Devemos desconsiderar completamente o desempenho em nossas avaliações?

Não, devemos, sim, considerar o desempenho, mas ficar atentos ao contexto onde ele ocorreu e como foi atingido. Por exemplo, será que aquele vendedor vendeu mais porque é um melhor vendedor, ou a concorrência no setor no qual ele atua é mais fraca? Ou, quem sabe, ele faz promessas para o cliente que não poderão ser cumpridas a longo prazo e   terão um impacto negativo nas vendas? Ou seja, alto desempenho imediato, mas queda no médio, longo prazo.
Portanto, com podemos avaliar o potencial?
Uma das maneiras seria pelo meio do modelo mental das pessoas. Segundo a doutora Carol Dweck, professora da Universidade de Stanford, em seus estudos de pedagogia, ela percebeu que quando apresentava um problema a um grupo de crianças, havia aquelas que se sentiam desafiadas e outras que se sentiam desanimadas. Ela descobriu que estes grupos de crianças possuíam dois tipos diferentes de modelos mentais, ou seja, possuíam maneiras distintas de perceber a realidade. As do grupo que se sentia desafiado possuíam o que ela chamou de modelo mental de crescimento e as grupo desanimado possuíam o que ela chamou de modelo mental fixo. Lembrando que estes modelos mentais também existem em adultos.
Aqueles com o modelo de crescimento não encaravam o erro como uma derrota, mas apenas como um sinal de que estavam se aprimorando, aprendendo. Neste modelo se esforçar é visto com naturalidade, enquanto no modelo fixo fazer esforço está associado a errar e errar por sua vez associado a fracasso.
Carol Deck descobriu que se ela, por exemplo, elogiasse o esforço das crianças, ao invés da inteligência, elas tinham um melhor desempenho. Isto acontecia porque ser inteligente, na cabeça da maioria, significa não errar. Então a criança que era elogiada como inteligente, não exercitava a atividade, por medo de errar, como a outra que era concentrada no esforço e assim aprendia menos. A Dra. Deck, então, se perguntou se um professor ou gestor poderia, de alguma forma, criar um contexto onde os modelo surjam. Ela então realizou um estudo onde dividiu dois grupos para fazer a  mesma atividade, para um grupo ela disse que a atividade serviria para avaliar determinada habilidade, para o outro, ela disse que serviria para desenvolver a mesma habilidade. O segundo grupo progrediu muito mais, pois cada erro era interpretado como necessário para desenvolver ao passo que para o primeiro cada erro era um sinal de má avaliação.
Como gestor, você pode estimular em sua equipe ou em você mesmo um modelo mental de crescimento, se perguntando diante de cada erro, o que aprendeu e como este aprendizado pode ser usado para seu crescimento pessoal e da sua equipe. Desta forma, poderá criar um ambiente onde a capacidade criativa e adaptiva presente em todo ser humano possa se manifestar em toda sua plenitude.

*Frederico Porto é psiquiatra, nutrólogo e professor convidado da Fundação Getúlio Vargas e Fundação Dom Cabral. Atua também como coach e consultor de empresas.
                                                                 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Inovar para Sobreviver (by Frederico Porto)

Na natureza, para sobreviver, os animais e as plantas, têm de se adaptar às mudanças que vão ocorrendo. No mundo organizacional é a mesma coisa; cada dia mais as empresas e profissionais têm de se adaptar, e com maior velocidade, às demandas do mundo externo.
Por isso, já não basta mais desempenhar as tarefas de maneira eficiente, com processos precisos: temos de ser capazes de inovar. Como seres humanos, somos bons em adaptar, mas inovar é contra a nossa natureza. Adaptar é reativo, o mundo muda e nos mudamos depois. Inovar, como estou apresentando aqui, é ser proativo, mudar antes que o mundo externo nos obrigue.

Isso é muito difícil, tanto para pessoas, empresas e até mesmo países, pois como ainda não começaram a acontecer perdas significativas, vamos adiando as mudanças necessárias. É aquele seu amigo que está acima do peso, com colesterol alto e não toma nenhuma providência, mas, o dia em que tem um infarto, muda todos os hábitos, passa a se alimentar bem e a praticar atividade física. 
Para inovar, precisamos reconhecer o medo do novo, enfrentá-lo, resgatar o uso da intuição e criar um ambiente onde as pessoas estejam inteiras.
Precisamos resgatar a capacidade de enxergar fora da caixa. Se até o momento fizemos uso das propriedades mais ligadas à lógica e à razão, chegou o momento de olharmos para o outro lado, o lado da intuição, onde as ideias surgem de maneira inesperada.
Segundo o pesquisador australiano Alan Snyder, que estuda autistas prodígios, como o personagem de Dustin Hoffman em Rain Man, filme no qual, em uma cena, cai uma caixa de palitos de dente no chão e o personagem autista “conta” o numero de palitos espalhados em dois segundos. Ele não contou, ele teve uma Gestalt, viu o total. Existem autistas capazes de ler 5 mil palavras por minuto e não esquecer, outros tocam instrumentos como profissionais e nunca foram ensinados. Se eles têm estas habilidades natas, Snyder pensou o seguinte, nós todos as tivemos também um dia e elas atrofiaram, estão adormecidas em nosso cérebro. Ele tem demonstrado que se você cansar o lado esquerdo do cérebro com um campo magnético, o direito se manifesta com maior intensidade - o lado direito é que está ligado às habilidades intuitivas. Após o uso do campo magnético, as pessoas melhoram o acerto em “adivinhar” o número de pontos vermelhos em uma tela de computador e melhoram a sua habilidade de desenhar, por exemplo. Por isso que, uma ideia raramente surge na mesa do escritório e sim quando está caminhando ou tomando banho. Quando você pensou muito em um problema, você cansou o seu lado racional (hemisfério esquerdo), para descansar ele deu uma desligada, e, quando estava em outras atividades, o direito (mais intuitivo) se manifestou e veio a solução tão procurada.
De acordo com o especialista em estratégia Gary Hamel, em 2005 a empresa de consultoria Towers Perrin fez um estudo com 86 mil funcionários que trabalhavam para empresas de médio e grande porte, em 16 países. Esse estudo mostrou que apenas 14% dos funcionários em todo o mundo são muito empenhados no trabalho, 24 % não são empenhados, e o restante ficava no meio. Isto significa que 85% dos funcionários estão dando menos de si. É um desperdício imenso de talento humano, e assim podemos entender por que tantas organizações são menos capazes do que as pessoas que nelas trabalham. 
À medida que o mundo corporativo passa a precisar de mais do ser humano do que simplesmente suas mãos, passa a ser fundamental termos este indivíduo inteiro no trabalho.
Você como gestor deve estimular a sua equipe a perceber o que não é dito, a imaginar o futuro, deve ouvir suas opiniões, para que se sintam parte dos processos. Incentive-os a refletirem o quanto seus valores pessoais estão alinhados com os da empresa, para que  assim possam estar  mais engajados e inteiros no trabalho.

*Frederico Porto é psiquiatra, nutrólogo e professor convidado da Fundação Getúlio Vargas e Fundação Dom Cabral. Atua também como coach e consultor de empresas.